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Jornal Conviva

Talentos


Ana jŠ ť mais um Talento da ADEVA

Ela faz tudo com carinho, na hora do lanche e na hora da limpeza  

Por Lúcia Nascimento | lucia@adeva.org.br

Damiana Pereira de Brito já é uma das mais queridas colaboradoras da ADEVA, mesmo com apenas um ano e quatro meses “de casa”. E isso tem uma razão de ser. No primeiro contato, só em ouvir sua voz meiga perguntar “quer mais um cafezinho?”, é impossível não gostar dela. 

Ana, como é conhecida pelos íntimos e amigos, diariamente mantém o Centro de Treinamento Mário Covas limpo e serve o lanche, com bebidas e deliciosos bolos preparados por ela, aos alunos e aos demais colaboradores da ADEVA.

A dedicação e o amor com que desempenha estas tarefas tem explicação na frase com a qual Ana iniciou a entrevista que deu ao jornal Conviva: “a ADEVA, pra mim, é uma mãe e todos são muito queridos”.

O começo
Pernambucana, de Águas Belas, Ana é filha do senhor Joaquim e da dona Edwiges, tem quatro irmãs, dois filhos do primeiro casamento, o Kauê e a Ximena, e dois netos, os gêmeos Lucas e Davi. 

Hoje, Ana está casada com Carlos Roberto Alexandre, um ex-aluno da ADEVA, que ficou cego em uma situação trágica. “Na manhã do dia 1º de janeiro de 2013, o Carlos saiu de moto para levar o filho ao serviço. Em um dos semáforos do caminho, ele percebeu que quem dirigia as duas motos paradas próximas a ele eram assaltantes. Assim que o farol abriu, o Carlos deu uma largada acelerada, mas os bandidos começaram a atirar e a persegui-lo. A moto de um deles bateu na roda traseira da sua moto, que girou em uma curva e se chocou contra um muro. O Carlos sofreu um afundamento na testa. Levado para o Hospital São Paulo, ficou catorze dias na UTI, em coma, desenganado.”

Felizmente, ele se recuperou e, quando teve alta, “moramos por quinze dias com um casal de amigos, o José Senna e a Elizete, nossos vizinhos, porque em casa tem uma escada alta e um corredor estreito e o Carlos não tinha condições de andar”.

Depois disso, seu marido ainda esteve hospitalizado por mais dez dias. Finalmente, Carlos voltou para casa, mas com uma triste notícia: ele estava cego. “Mesmo agradecido pela vida, por ter filhos, esposa e amigos, ele chorou muito. Se sentia ‘acabado’, inútil. Até me pediu para que eu fosse cuidar da minha vida, que me afastasse dele, pois estava se sentindo um ‘peso’.”

Uma nova realidade
Na época deste acidente, Carlos cursava Direito, na Universidade Paulista (Unip). Ele teve que trancar a matrícula e a Ana parou de trabalhar para cuidar dele.

Sem nunca ter convivido com pessoas cegas, Ana se viu desorientada. Uma cliente e amiga, “eu era manicure dessa senhora”, conhecendo sua história, comentou com ela sobre um senhor cego, o advogado Roberto Bolonhini. “Fui conhecê-lo e fiquei surpresa, porque ele trabalhava, atendia os clientes, tudo sozinho! Ele, então, nos indicou a ADEVA, como uma entidade onde o Carlos poderia iniciar um processo de reabilitação.”

O recomeço
Na ADEVA, Carlos aprendeu a usar a bengala, participou dos cursos de informática, de braille e de auxiliar de escritório. “Eu o acompanhava e ficava por lá. Nesses tempos de espera, fiz amizade com muita gente e ouvi histórias de vida que, de certa forma, me ajudavam a superar o meu problema.”

“Um dia, perto da data do aniversário do Carlos, pensei em comprar um presente para ele, mas queria usar o meu dinheiro para isso. Como eu estava desempregada, pedi a Deus que me ajudasse a conseguir um emprego, também para poder ajudar nas despesas da casa. Na semana seguinte, o Markiano (diretor-presidente da ADEVA) me convidou para trabalhar lá, servindo lanche para os alunos e fazendo a limpeza diária nos intervalos.” 

“Aceitei na hora. Desde então, a ADEVA é uma mãe para mim, é uma mãe para todos! É gratificante estar nesta entidade que faz um trabalho maravilhoso para as pessoas com deficiência visual. Este ano, graças a Deus, o Carlos retornou à faculdade; ele vai e volta sozinho, com o auxílio da bengala. Graças a ADEVA, nós estamos muito bem!”

Jogo rápido com Ana Pereira de Brito
Signo
: Aquário.

Cor preferida: Branca.

Hobby: Ter espelho dentro de casa.

Um filme: Ghost, do outro lado da vida (EUA, 1990). 

Um livro: “Ninguém é de ninguém”, de Zíbia Gasparetto.

Gênero musical: Romântico.

Uma música: “Como é grande o meu amor por você”, do Roberto Carlos.

Cantor preferido: Roberto Carlos.

Cantora: Paula Fernandes.

Sobre a deficiência: Exemplos de garra e vida.

Religião: Católica.

Deus: Tudo que eu quero, eu peço e ele me atende.

Amigos: Hoje, eu seleciono.

Amor: É o que eu sinto pelo meu marido.

Esporte: Musculação.

Time do coração: São Paulo.

Família: Meus filhos, meus netos e meu marido.

Um sonho: Ver meu marido formado.

O que fazer para viver melhor: Ter saúde.

Uma frase: Sonhar, jamais desistir.

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