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Alex Nascimento tem baixa vis„o e ť guarda civil metropolitano

Por Lúcia Nascimento |  lucia@adeva.org.br

Ele foi o primeiro colocado na classificação cotista do concurso da GCM

“Com meus 50% de visão, dou meus 100% no trabalho”, garante Alex Nascimento Lima (33), primeira pessoa com deficiência visual a ingressar na Guarda Civil Metropolitana (GCM) da cidade de São Paulo. 

Há dois anos na função, o GCM Lima, como é conhecido, trabalha no Núcleo de Apoio Operacional da Secretaria Municipal da Segurança Urbana (SMSU), departamento que cuida da escolta do secretário, motoristas e do efetivo da sentinela. 

Sua história
Alex tem deficiência visual monocular provocada por uma gota de fluido de freio que caiu no seu olho direito. Quando isso aconteceu, “eu trabalhava como auxiliar e técnico em enfermagem e minha vida profissional estava num crescendo. Não dei muita atenção ao acidente e o problema foi se agravando. Fiquei com três cicatrizes na íris e com uma deficiência visual irreversível”.

Como sempre desejou seguir a carreira militar, Alex prestou concurso para sargento das Forças Armadas e para a Polícia Militar. “Neste último, passei na prova e no exame físico, mas fui barrado no exame médico por causa da deficiência.” Isto não o impediu de prestar outros concursos e, “no processo seletivo da GCM, que classificou 20 mil candidatos, consegui êxito em todas as etapas. Por fim, fiquei em 54º lugar entre os dois mil selecionados e em 1º lugar entre os vinte e sete com deficiência visual (cotistas)”.

Guarda Civil Metropolitana
Alex não poupa elogios à GCM que, “em nenhum momento, me impediu de prestar o concurso por causa da minha deficiência visual”. Sua capacidade técnica foi avaliada e, constatado que a baixa visão não o impedia de realizar serviços da Guarda Civil, “fui considerado apto a prosseguir no processo de seleção. Durante o curso de formação de seis meses, competi de igual para igual. Tinha 48 guardas no meu pelotão e eu me classifiquei em 14º lugar. Na aula de tiro, fiquei entre os dez melhores”.

Dupla atuação
Desde 2008, Alex também atua como técnico de enfermagem em atendimento particular a um paciente acamado e 100% dependente de seus cuidados. “Também neste trabalho, a baixa visão não atrapalha meu desempenho. Apenas, para executar certos procedimentos de cuidados paliativos, fiz algumas adaptações.”

Desde 2014, ele é agente da Guarda Civil Municipal. “Sinto-me realizado na profissão. Resolver problemas de crimes contra crianças e mulheres é um dos meus desejos. Se eu puder entrar na Polícia Civil, pretendo atuar na Delegacia da Mulher. E não é a minha deficiência que define se sou um bom ou um mau policial, se vou morrer ou não em serviço. Muitos profissionais que morreram no cumprimento da função, como guardas ou policiais, tinham visão normal. Mas eu prezo minha vida. Tenho esposa e dois filhos que amo demais.”

Para o deficiente que quiser seguir a carreira policial, Alex recomenda muito estudo, persistência e a leitura do Diário Oficial do Município, onde são publicados os editais de concursos públicos. “Creio que a Guarda Civil vai acreditar em você, porque foi a única que deu crédito a mim e aos outros candidatos cotistas que participaram do concurso. Não desista no primeiro não. A deficiência não é uma pedra no caminho.”

 

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