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Mercado de Trabalho


Jeffinho Farias se apresenta nos principais clubes de comédia do Brasil

 

Cego, o humorista integra o elenco de A Praça É Nossa, do SBT

Seu primeiro emprego remunerado foi na comédia. “Antes, eu só ganhava dinheiro vendendo bebidas em festas de rua, mas era mais pela zoeira. Bebia mais do que vendia!”, conta o ator e humorista Jefferson Souza Farias (o Jeffinho Farias), de 27 anos, que, antes de perder a visão, sonhava em ser jogador de futebol. “Não havia tido nenhuma experiência artística ou desejo espontâneo de me dedicar às artes. Uma vez, porém, assistindo ao programa A Praça é Nossa, perguntei à minha mãe o que fazer para trabalhar na TV. Sabe o que ela respondeu? ‘Tem que estudar muito!’. No auge da arrogância de aluno que tirava boas notas em seus boletins de quarta série, pensei: Então não é tão difícil assim”, lembra.

Nascido em São Gonçalo (RJ), Jeffinho é cego desde os 11 anos devido a uma trombose cerebral que atrofiou o nervo óptico. Ele diz que não chegou a se deprimir, mas passou por momentos de revolta de "Por que eu!?" "Por que comigo?" “A maior dificuldade foi quando fui voltando a vida normal, só que cego. Escola, sair para as festas. Eu tinha vergonha. Só aprendi Braille e a usar bengala com uns quinze, dezesseis anos. Conhecer deficientes visuais que já eram independentes havia algum tempo foi que me ajudou a aceitar a minha condição. Aí eu comecei a entender que havia luz no fim do túnel, embora eu não a visse”, brinca.

Profissão

Formado em Artes Cênicas pelo Centro Universitário da Cidade do Rio de Janeiro, Jeffinho Farias trabalha como ator desde 2008, e na comédia, especificamente, desde agosto de 2009 “quando, pela primeira vez, subi num palco para fazer stand up comedy.”

Depois, o humorista participou de alguns programas de TV: Jô Soares, Faustão, Zorra Total. Em 2013, com mais dois colegas (Rapha e Duca), ele decidiu voltar para o mercado de São Paulo. “Nós estávamos há um ano e meio fazendo participações pequenas no Zorra Total, mas que não nos deixavam lá tão satisfeitos. Em meados de 2013, surgiu a possibilidade de mostrarmos o trabalho para o Carlos Alberto de Nóbrega, do A Praça é Nossa. Graças aos céus ele gostou e lá estamos até hoje”, comemora.

Fora da TV, Jeffinho e sua equipe já fizeram shows em diversos espaços de comédia: No Hillarius Comedy Club, Comedians Comedy Club, Bar Curitiba Comedy Club e Beverly Hills Comedy Club, entre outros. “Além disso, rodo com o meu solo de humor, Ponto de Vista, escrito por mim e dirigido pelo Alexandre Regis. Já me apresentei com esse solo em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais. Também tenho um canal no youtube – pontodevistatv – no qual sempre posto vídeos com conteúdos diferentes dos que são exibidos na TV.”

Reconhecimento

Feliz com a repercussão do seu trabalho, o humorista comemora o fato de, cada vez mais, ser reconhecido tanto pelo meio artístico quanto pelo público. Jeffinho também conta que nas ruas até lhe pedem autógrafo, mas ele escreve do jeito que dá. “Em tinta já dei alguns, mas seria demais exigir uma caligrafia perfeita de um cego. Hoje, porém, sou abordado quase todos os dias para tirar uma selfie!”

Realizado, Jeffinho dá a receita para que as pessoas com deficiência visual, assim como ele, possam alcançar o sucesso profissional:  “trabalhar bastante e fazer com vontade aquilo a que você se propõe. Se você gosta só um pouco, desista”!


Lúcia Nascimento | lucia@adeva.org.br

 

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