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Esporte


Patinação: velocidade sem limites também para cegos

Bia Santana, deficiente visual há 5 anos, foi a brasileira mais rápida
na Maratona de Velocidade de Berlim (Alemanha) em 2017

A prática da patinação de velocidade requer equipamentos específicos como skinsuits (macacão de lycra) para minimizar a resistência do ar, kit de proteção composto por capacete, joelheira, munhequeira e cotoveleira, e obviamente patins com rodas em linha (inline). A atividade de baixo impacto auxilia na perda e controle do peso, desenvolve a flexibilidade, trabalha o equilíbrio, agilidade, força e resistência, e é excelente coadjuvante no desenvolvimento da coordenação motora e melhora do condicionamento físico. 

Vamos então conhecer um pouquinho a nossa patinadora, aluna de digitação na Adeva, que já fez curso de mobilidade na instituição?Pois bem... Bia foi diagnosticada com diabetes mellitus aos 11 anos e perdeu completamente a visão em 2013, quando tinha 27. Ao precisar abandonar a faculdade de design gráfico (UNIP) e as aulas de informática que ministrava, ela passou por um período depressivo de aproximadamente dois anos, mas que já ficou para trás. A guinada começou em 2015, quando Bia encontrou na internet o Projeto Hero Patinação Para Cegos, de São Bernardo do Campo (SP), fundado pelo patinador e instrutor Emerson Pancelli. Começou com as aulas e nunca mais deixou as rodinhas de lado.

Para fazer aulas, treinar e participar de competições, é preciso ter um guia. No começo, a dupla patina de mãos dadas, depois, quando o aluno já está se sentindo mais seguro, utiliza uma corda cujas pontas ficam nas mãos de cada um. Já o passo seguinte é a “percepção corporal”, quando a mão do deficiente visual fica nas costas do guia que vai um pouco à frente e, se o patinador quiser ir mais rápido, por exemplo, ele dá um empurrãozinho no guia. Na Alemanha, onde o esporte já é praticado há mais de dez anos, existe mais uma fase: “comando de voz”, mas só quem tem baixa visão pode se utilizar desse recurso.

Em menos de três anos de vida esportiva, Bia já coleciona títulos. São nove medalhas de ouro – sete em 2017, sendo cinco em Meia Maratona (21km) e duas em circuito oval; e mais duas em 2016, em etapas do Circuito Indoor do Campeonato Paulista de Patinação de Velocidade – todas na categoria deficientes visuais. Ela ainda comemora um feito e tanto: ter sido a brasileira mais rápida na Maratona de Berlim, a prova de patinação de velocidade mais importante do mundo. “Quase não consigo acreditar que fomos mais rápidas que as brasileiras que enxergam.”

 

Mas chegar a esse nível requer foco, persistência e muito empenho. A patinadora tem uma rotina intensa de treinamento. “Às segundas, quartas e sextas, exercícios aeróbicos; terças e quintas, circuito fechado (pista oval) em Alphaville, na Grande São Paulo; e aos sábados e domingos, no Parque Villa-Lobos, o treino é voltado para as provas mais longas. Sempre com supervisão do técnico Marcel Lionesi, da equipe Gotcha, e com os guias, parceiros e amigos Renata (provas de rua) e Eduardo (circuito oval)”, explica. 

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