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Mercado de Trabalho


De melhor aluna a grande advogada

Cláudia Lazzarini é especialista em Direito do Consumidor e trabalha no Procon de Juiz de Fora (MG)

Ela afirma que sempre foi a melhor aluna de todas as salas em que estudou e a primeira criança cega de Juiz de Fora (MG) a ser inserida em sala regular, quando passou para a quarta série, na Escola Municipal Cosette de Alencar. "Antes de mim, todos os cegos e pessoas com baixa visão da minha escola estudavam em salas especiais", lembra a advogada Cláudia Maria Lazzarini, 43, cega devido a uma retinose pigmentar congênita.

Formada pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais Vianna Júnior e pós-graduada pela Faculdade Estácio de Sá, ambas de Juiz de Fora, Cláudia conta que o que a inspirou a ser advogada “foi o leque de oportunidades profissionais que essa área proporciona, e pelo fato de a profissão permitir que uma pessoa cega possa trabalhar normalmente, ser respeitada e crescer na carreira com grande autonomia”.

Especialista em Direito do Consumidor, Cláudia atua no Procon de Juiz de Fora desde agosto de 1999, onde coordena o Núcleo de Atendimento ao Consumidor Superendividado (NASE). “O projeto, de minha autoria, é semelhante ao que existe na Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro: auxilia as pessoas com dívidas imensas, que atingem mais de trinta por cento de suas rendas mensais, a se reequilibrarem financeiramente.

 

O ingresso no mercado de trabalho

Cláudia foi trabalhar na Prefeitura Municipal de Juiz de Fora por indicação. "O contratante queria um advogado cego para substituir o que pediu exoneração por ter passado em um concurso público em outro Estado. Acontece que o anterior era meu amigo e ele me recomendou à pessoa responsável pela contratação, já que eu havia me formado há pouco tempo e tinha sido aprovada no exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) na primeira vez que tentei”.

No cargo há 18 anos, onde pretende ficar até se aposentar, a advogada garante que nunca sofreu preconceitos devido à deficiência visual “Pelo contrário. Sou muito respeitada, e até temida, pois tenho fama de ser muito rígida com as partes." Cláudia diz que se sente realizada como advogada do consumidor, porém revela uma ambição no trabalho. "Ainda pretendo tornar-me chefe do Procon de Juiz de Fora".

Arrojada, ela aconselha aos deficientes que sonham com um bom emprego e o respeito em suas carreiras, que se especializem e se aperfeiçoem ao máximo. "Não tenham preguiça de estudar e de darem o seu melhor; nunca se contentem com benefícios assistenciais como meta de vida ou em ser mais um na multidão. Pensem sempre "eu posso" "eu quero" "eu consigo". Atravessem barreiras por si mesmos, e não esperem que as barreiras desapareçam de suas vidas por mágica. Como diz o nosso compositor, Geraldo Vandré: - "Vem, vamos embora, que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer". Tenham sempre esta filosofia na vida", recomenda.

 

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